sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Nossa segunda família

Ok, talvez não seja minha segunda família, visto que nasci em 1989 e passei pelo Cruzado Novo, Cruzeiro, Cruzeiro Real e o que mais me marcou, e a todos, o famoso Real.

O Real chegou às mãos do povo brasileiro em 1994, com o valor de 2750 Cruzeiros Reais, durante o governo de Itamar Franco, com o Plano Real, para se tornar a moeda estável do país. O Plano Real buscava amenizar a hiperinflação que o país sofria e foi o plano de estabilização econômica mais eficaz da história, reduzindo a inflação (objetivo principal), ampliando o poder de compra da população, e remodelando os setores econômicos nacionais. (SAYAD, João. Observações sobre o Plano Real. Est. Econ. São Paulo. Vol. 25, Nº Especial, págs. 7-24, 1995-6). 




Como muitos ja sabem, começará a circulação das novas notas do nosso dinheiro, a segunda família do Real. As novas notas estão sendo fabricadas com tecnologia de ponta a fim de obter maior segurança para evitar falsificações e terão um novo design com a finalidade de ajudar as pessoas com baixa visão e cegos. A dimensão da cédula será diferenciada pelo seu valor e os relevos serão mais táteis.


A partir de novembro, virão à praça os renovados valores $50 e $100 reais. No primeiro semestre de 2011 aparecerão as notas de $20 e $10 e assim, gradativamente até 2012, todas elas estarão em nossas mãos. (Não se desespere para trocar todas que possui, elas não perderão o valor de um dia para o outro).



Como podemos perceber, os elementos da fauna brasileira continuarão nas cédulas, o que eu acho lindo! (minha preferida é a de $2, por que é a tartaruga marinha, sempre gostei).  Outra coisa que também não deixa a nota é a maldita/bendita frase "Deus seja louvado". Mas afinal, por que essa frase existe aí?


Estava pesquisando aqui e achei algumas respostas interessantes, como "Talvez seja para purificar os atos que algumas pessoas são capazes de fazer para conquistar aquela nota!" (Melinda Martins). Mas na verdade, a frase está inserida na moeda brasileira desde 1986, parando de ser impressa apenas nos anos 1990 à 1992, no Cruzeiro. A criação da frase veio de Sarney, inspirando no modelo americano que conta com a inscrição "In God we trust" ("Em Deus nós confiamos") nas cédulas do seu dinheiro, devido à uma lei criada durante a Guerra Fria, em 1954, que "deserdava" o lema "E Pluribus Unum” ("Um constituído por muitos") e substituia-o por "In God we trust" e, apartir de 1955, a inscrição do novo lema foi obrigatoriamente inserido em todas as cédulas de dólar.

Porém, eu realmente acho que a frase devia ser banida do nosso suado dinheirinho. Primeiro porque a diversidade religiosa do nosso país é quase imensurável e, apesar da maioria dos brasileiros serem católicos ou terem alguma religião com fé em Deus, eles não são os únicos. E, de acordo com a Constituição Brasileira de 1988, o Brasil é um Estado Laico, isso quer dizer que para todo brasileiro é livre a manifestação de pensamento, tem direito de crença religiosa, convicção filosófica ou política, estabelecer cultos religiosos ou igrejas. O Estado tem total divisão com a religião, o governo instituído, democraticamente, não pode favorecer, nem interditar, as atividades de religião alguma. Além disso, não pode impor uma religião específica aos seus cidadãos, nem discriminá-los em razão de não seguirem a ideologia religiosa majoritária. (Estado Laico - Wikipedia)

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